Jennifer Moore

Por Francine Oliveira Publicado em 29 de outubro de 2013

Jennifer Moore é uma tatuadora cujas habilidades vão muito além da arte gráfica. Sua formação ampla passa inclusive pela mágica e teologia, já tendo até publicado um belíssimo baralho de tarot para curas, o Healing Tarot.



Como tatuadora profissional há mais de 16 anos, Moore procura integrar suas diversas áreas de conhecimento com a tatuagem, resgatando muito do valor espiritual e emocional da arte na pele e possibilitando a seus clientes uma experiência única que, apesar de não ser nem um pouco nova, revigorou-se pelas mãos dessa interessante e evoluída pessoa que é Jennifer Moore.


A entrevista que traduzi abaixo é parte de uma pesquisa de Carlos Raul Hernandez, um chileno que esteve em contato com a tatuadora para desenvolver seu projeto, intitulado Tattooing as a Healing Art ("Tatuagem como uma Arte Curativa"), resultando numa longa conversa a respeito de tatuagem e espiritualidade.



Conte-me um pouco sobre seu treinamento como "curandeira" e praticante de "mágica positiva".
Desde criança eu fui atraída pelos lados misteriosos, mágicos e fantásticos da vida. Eu experimentei meu primeiro sonho profético quando tinha 9 anos de idade e eu sabia que havia muito mais na vida que aquilo que podia ser explicado pela programação infantil da TV americana e latas de sopa de galinha. Eu procurava por respostas em livros de histórias de fantasmas, mitos e contos de fadas e através de caminhadas pelos bosques próximos. Enquanto crescia tive a sorte de encontrar outros "buscadores" pelo caminho, que me ofereceram informações vitais. Em 1981 eu ganhei meu primeiro baralho de tarot e logo comecei a trabalhar como sensitiva, quando ainda estava na escola de artes. Com o tempo, eu descobri que as perguntas profundas e pessoais que as pessoas traziam a suas sessões de leitura de tarot me levaram a integrar mais as modalidades de cura a minhas práticas psíquicas. Por meio de uma conversa ainda mais profunda com o Espírito eu fui guiada a aprender sobre Reiki e trabalhos de respiração, e até mesmo a estudar com Sylvia Braillier, na School for Body Centered Spiritual Healing ("Escola para Cura Espiritual Centrada no Corpo") e a obter mestrado em psicologia e religião pela Andover Newton Theological School ("Escola Teológica Andover Newton").


Fale sobre como você começou na arte da tatuagem.
Desde que eu era uma garotinha eu amava decorar tudo, inclusive a mim mesma. Aos 11, eu pintava rostos nas feiras da escola e logo estava nos bastidores das peças da escola, fazendo maquiagem e o desenho do set. Como estudante na escola de artes, comecei a usar maquiagem e body painting em minhas fotografias e filmagens. Em 1986 eu obtive um bacharelado em artes visuais pela Boston Museum School e Tufts University. Durante esse período eu experimentei fazer tatuagens com ferramentas artesanais, em mim mesma e em alguns amigos próximos e, apesar de não ter ficado satisfeita com a qualidade das imagens, eu fui instantaneamente fisgada pela energia e intensidade do processo. Eu soube, então, que a tatuagem era algo que tinha grande potencial espiritual.


Em 1986 eu explorei, brevemente, tatuar de forma profissional, mas rapidamente me esgotei com a falta de informações acessíveis, o segredos profundamente guardados e as atitudes pouco amigáveis com que me deparei como uma jovem mulher recém-saída da escola de artes, então eu deixei a ideia de lado e voltei meu foco para meu desenvolvimento emocional e espiritual. No verão de 1997 surgiu a oportunidade de um aprendizado, e reconhecendo a tatuagem como um meio poderoso de cura e crescimento espiritual, eu agarrei a chance e comecei meu treinamento formal com Jon Devries, do Dramatic Pawz Tattoos, em Cobbleskill, Nova York. Eu fui muito abençoada ao receber treinamento adicional durante quase um ano, por um aprendizado com Juli Moon em seu estúdio, na época localizado em Seabrook, New Hampshire. Eu também me beneficiei do talento e sabedoria dos artistas Chris Dingwell, Cory Kruger e Tim Wallace. Em agosto de 1999, Chris Dingwell e eu decidimos abrir o Sanctuary Tattoo em Portland, Maine, onde, com nossos amigos Wilhelm Scherer, Ryan Fleming e Danielle Madore, criamos um maravilhoso espaço onde criatividade e cura puderam prosperar.


Qual, para você, é a conexão entre cura e tatuagens?

A tatuagem vem sendo usada para fins de proteção e cura desde os tempos antigos. Povos de diferentes tradições indígenas colocaram marcas sagradas em seus corpos para aliviar dores crônicas, para invocar o poder de uma planta ou espírito de animal específico, por suas habilidades e força, para invocar espíritos de guia e auxílio, para permanecerem conectados a seus queridos mortos e a seus ancestrais, para afirmar lugar e status social e para serem reconhecidos no "além-vida". Até hoje as tatuagens são usadas em ritos de passagem e iniciação. Como uma tatuadora moderna, eu desenho (ou retiro dos desenhos) a partir dessas tradições, em que pessoas fazem marcas sagradas em seus corpos desde a história remota e ofereço a meus clientes uma forma de colocar suas próprias preces na pele e de deixar suas verdades e belezas emergirem.



Como uma tatuagem pode ser "de cura"? O que seria uma "tatuagem de cura"?
Existem várias formas de uma tatuagem ser "de cura". Toda pessoa chega à sua tatuagem com uma história e uma necessidade diferente. Uma pessoa pode escolher se tatuar como uma parte consciente de seu processo de cura ou pode simplesmente sentir um ímpeto de decorar seu corpo. As razões pelas quais as pessoas escolhem fazer uma tatuagem são tão variadas quanto a experiência humana, elas podem ser físicas, mentais, emocionais e/ou espirituais de natureza. Tatuagens têm o poder de ajudar: embelezar, lembrar, celebrar, transformar, honrar, afirmar, expressar, curar e restaurar, só para listar algumas das possibilidades.



Eu acredito que uma tatuagem pode curar porque ela nos ajuda a mudar nossas percepções de nós mesmos bem como muda a forma como somos percebidos. Por sua própria natureza, a presença de uma tatuagem revela um ato de coragem por parte de quem a ostenta. Qualquer um que faz aquela primeira tatuagem deve se mover para além da ansiedade inicial e da antecipação da dor para um lugar de complacência.







Fonte: Spirit Tattooing


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