A força da tatuagem para membros de gangues

Por Francine Oliveira Publicado em 26 de setembro de 2013

Por mais que a luta pelo fim da discriminação de pessoas tatuadas tenha se intensificado no último século, a tatuagem continua sendo uma poderosa forma de identificação de criminosos e membros de gangues. Uma tatuagem é uma representação de comprometimento, uma marca indelével e profundamente pessoal. Felizmente, o significado das tatuagens no meio criminal vem se enfraquecendo por uma iniciativa dos próprios membros de gangue, que, para dificultar sua identificação, preferem não marcar o próprio corpo. Em vez de se destacarem da sociedade, eles passam a se misturar, como "cidadãos normais".



Entre as gangues latinas e de imigrantes chicanos nos Estados Unidos há inúmeros códigos presentes nas tatuagens, que não raro ficavam expostos em locais visíveis como o rosto, pescoço ou nas mãos. Quanto maior e mais proeminente a tattoo, mais difícil ela seria de esconder e maior a impressão causada entre os demais membros da gangue. Por exemplo, um desenho comum entre criminosos hispânicos é a cruz pachuco, feita entre o polegar e indicador. Cercada por três pequenos traços, que seriam o brilho emanado da cruz, ela é um símbolo religioso que simboliza a more e a ressurreição, sendo os traços ao redor uma representação da Trindade, ou seja, Pai, Filho e Espírito-Santo.



Outro desenho comum de ser encontrado na mão são três pontos formando um triângulo, que representaria a despreocupação do criminoso para com as leis e consequências. Entre os hispânicos, esta seria uma versão dos dizeres "mi vida loca". Em Cuba, o desenho indica quem pratica pequenos furtos.

Na Califórnia, estado com grande concentração de imigrantes, tatuagens de números e de letras ainda podem ser vistas, inclusive nos rostos de criminosos, referente ao código penal associado ao crime que cometeram - 187, por exemplo, indica assassinato - ou à gangue que pertencem - 18 para a 18th Street Gang; 14, X4 ou XVI para os Norteños ("N" é a décima quarta letra do alfabeto); já os afiliados à Máfia Mexicana, conhecida como La eMe, tatuam 13, X3 ou XIII ("M" é a décima terceira letra do alfabeto).

Além de indicar a afiliação, as tatuagens também podem revelar a posição que o sujeito ocupa dentro do grupo, seus crimes, número de vítimas ou de ataques já realizou em nome da gangue, entre outros. Os desenhos também podem conter informações pessoais, como nome de entes queridos, de companheiros ou parentes falecidos, datas significativas e de onde o indivíduo veio. A lágrima ao lado do olho, uma tatuagem bastante comum, é tomada como indicadora de um assassinato, contudo, o mais recorrente é que ela denote que alguém próximo tenha morrido enquanto preso.

Não se pode negar que, dentro de uma instituição penal, as tatuagens sejam particularmente importantes até os dias atuais. O sistema prisional ocidental é normalmente estruturado por gangues e facções, portanto, ao se ver preso, até o indivíduo que não faça parte de nenhum grupo criminoso acaba se associando como estratégia de sobrevivência. Falar em "tatuagem de cadeia", então, não é sustentar um discurso preconceituoso ou pautar-se na discriminação, mas estar ciente de que as marcas corporais ainda podem ser usadas para fins negativos e que, por isso, devem ser cuidadosamente analisadas e catalogadas.

 

Fontes: Vanishing Tattoo; Gang Tattoos


Avalie este post

Dê uma nota de 1 a 5 estrelas

Comentários

Faça um comentário sobre este post